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Patrulha Maria da Penha atende mais de 120 medidas protetivas em São Sebastião

2025-08-08  Rafael Fraga  108 views
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Patrulha Maria da Penha atende mais de 120 medidas protetivas em São Sebastião

No mês em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 19 anos, o enfrentamento à violência contra a mulher segue como pauta prioritária. A legislação, criada para coibir a violência doméstica e familiar, também instituiu os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Em São Sebastião, a Patrulha Maria da Penha, vinculada à Polícia Municipal, atua ativamente na proteção das vítimas. Atualmente, o programa acompanha 122 medidas protetivas em vigor. De janeiro a julho deste ano, foram realizados 1.064 atendimentos às mulheres com medidas protetivas deferidas pela Justiça.

Desde sua criação, em 2016, até julho de 2025, a patrulha já contabiliza 6.256 atendimentos e acompanhamentos, além de 76 prisões relacionadas à violência doméstica.

A policial municipal Liliana Granato Bedrossian Sobral, responsável pela Patrulha, explica que as visitas às vítimas ocorrem de três a quatro vezes por mês, além dos contatos por telefone e WhatsApp. Muitas dessas mulheres contam também com o botão de pânico, dispositivo que, ao ser acionado, envia um alerta direto ao Centro de Operações Integradas (COI), que imediatamente desloca uma viatura ao local.

Segundo Liliana, os nomes das vítimas são encaminhados diretamente pela Justiça. “Por isso, é fundamental que a mulher denuncie. Seja na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no fórum ou junto às redes de apoio, é importante buscar ajuda e solicitar proteção”, ressalta.

Um novo perfil de vítimas: o "divórcio cinza"

Após a pandemia, surgiu um novo perfil entre as mulheres que solicitam medidas protetivas: pessoas acima dos 50 anos que decidem romper relacionamentos abusivos após décadas de casamento. O fenômeno, chamado de "divórcio cinza", reflete uma mudança significativa no comportamento social. Dados do IBGE mostram que cerca de 30% dos divórcios recentes envolvem pessoas nessa faixa etária.

“São mulheres com filhos adultos, que não aceitam mais viver sob agressão”, explica a policial.

Violências que vão além das marcas físicas

A Patrulha Maria da Penha também chama atenção para tipos de violência que muitas vezes não deixam marcas visíveis, mas causam profundas feridas: violência psicológica, moral e patrimonial. "A dor causada por palavras, humilhações ou controle financeiro é tão grave quanto a agressão física", destaca Liliana.

Um exemplo é a história de C.S.A., 44 anos, que conviveu com o companheiro por 11 anos e hoje é assistida pela patrulha. "Ele me agredia verbalmente, era racista, me humilhava. Por muito tempo achei que era normal. Um dia, decidi dar um basta", conta.

Mesmo após a Justiça determinar uma medida protetiva, ela aceitou reatar o relacionamento após o agressor passar por um curso. No entanto, as agressões voltaram. “Pensei na minha filha de 14 anos. Não queria que ela vivesse esse ambiente. Voltei à Justiça e, há oito dias, consegui novamente a medida protetiva. Estou quebrando esse ciclo”, relata, emocionada.

Ela também revelou ter passado por um período de depressão profunda. “Já tentei tirar minha própria vida por causa das humilhações. Mas hoje vejo que não estou sozinha. A rede de apoio em São Sebastião é muito boa e sei que vou conseguir seguir em frente.”


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