
Mercado de previsões aponta 61% para Flávio Bolsonaro a quatro dias da eleição
A quatro dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o mercado de previsões da Polymarket indica 61,9% de probabilidade implícita de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38% no mesmo mercado. Os demais nomes registrados aparecem com menos de 1%.
Os números apresentados pela plataforma são atualizados conforme as negociações dos contratos e representam a avaliação dos participantes daquele mercado, e não uma pesquisa de intenção de voto realizada com eleitores.
Na consulta mais recente disponível, Flávio Bolsonaro aparece com 61,9%, enquanto Lula registra 38%. A diferença entre os dois percentuais é de aproximadamente 23,9 pontos percentuais.
O mercado da eleição presidencial na Polymarket acumulava, na consulta realizada, cerca de US$ 159 milhões em volume negociado, um indicador do tamanho da atividade financeira em torno desse contrato.
A própria plataforma explica que o preço dos contratos funciona como uma probabilidade implícita: por exemplo, um contrato negociado a 61 centavos é interpretado como aproximadamente 61% de probabilidade atribuída pelo mercado àquele resultado.
Os números chamam atenção porque apresentam um cenário diferente do observado em pesquisas tradicionais.
No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, realizado entre 23 e 28 de setembro com 5.005 eleitores, Flávio Bolsonaro apareceu com 47,7% e Lula com 47,6% em uma simulação de segundo turno. A diferença de apenas 0,1 ponto ficou dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.
No primeiro turno da mesma pesquisa, Lula registrou 45,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 42,2%. Renan Santos teve 5,2%, Augusto Cury 2%, Ronaldo Caiado 1,8% e Romeu Zema 0,9%.
Já um levantamento Datafolha divulgado em 2 de outubro apontou 45% para Lula e 40% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No cenário de segundo turno divulgado pelo instituto, os números foram 48% a 45%, dentro do contexto de uma disputa apertada.
A principal diferença está na metodologia.
Pesquisas eleitorais perguntam diretamente a uma amostra de eleitores em quem pretendem votar. Já os mercados de previsão trabalham com contratos negociados por participantes que colocam dinheiro em determinados resultados.
Por isso, os 61,9% da Polymarket não significam que 61,9% dos eleitores declararam intenção de votar em Flávio Bolsonaro. São duas métricas diferentes e devem ser interpretadas separadamente.
Além disso, os valores da Polymarket podem mudar rapidamente conforme novas informações chegam ao mercado e os participantes alteram suas posições.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro, das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Se nenhum candidato à Presidência obtiver mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
O Brasil possui 158.765.543 eleitores aptos a votar nas eleições gerais deste ano, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com apenas quatro dias para o primeiro turno, os dados disponíveis mostram métricas diferentes para medir o cenário eleitoral: enquanto o mercado de previsões apresenta uma probabilidade implícita de 61,9% para Flávio Bolsonaro e 38% para Lula, pesquisas recentes de intenção de voto apresentam uma disputa muito mais próxima, com diferenças que, em diversos levantamentos, ficam dentro das respectivas margens de erro.
Assim, o resultado efetivo será determinado pelos votos depositados nas urnas em 4 de outubro, e não pelos percentuais registrados atualmente em mercados de previsão ou pesquisas.
Fonte: Polymarket, TSE, AtlasIntel/Bloomberg e Datafolha.